Para se situar
Ollantaytambo fica onde o rio Patacancha encontra o Urubamba, 60 km a noroeste de Cusco e 2.792 m acima do mar. A cidade inteira se atravessa a pé em vinte minutos.
A Plaza de Armas é o centro. Ao norte fica a malha inca do Qosqo Ayllu; a oeste, no topo da praça, a entrada do sítio arqueológico em terraços; a leste sobe a trilha do Pinkuylluna; e a 1,5 km a sudeste, descendo a avenida Ferrocarril, está a estação de trem.
Quase tudo o que um visitante precisa — hotéis, restaurantes, mercado, caixa eletrônico, agências — está a três quadras da praça.
Uma história bem curta
O imperador Pachacutec conquistou o vale em meados do século XV e reconstruiu Ollantaytambo como propriedade real: lavouras em terraços, uma cidade planejada e um complexo cerimonial acima dela, tudo traçado de uma vez.
O Templo do Sol no alto nunca foi terminado. Seus seis monólitos de riolito rosado vieram de Cachiccata, uma pedreira a seis quilômetros e do outro lado do rio, içados por rampas que ainda estão cobertas de blocos abandonados.
Em 1537, Manco Inca resistiu aqui, inundando a planície abaixo pelos canais de irrigação incas e expulsando a cavalaria de Hernando Pizarro — uma das poucas vitórias incas incontestáveis da conquista. Pouco depois ele se retirou para Vilcabamba.
Os espanhóis nunca reconstruíram a cidade, e é exatamente por isso que ela sobrevive. Prédios coloniais e modernos se assentam sobre fundações incas em vez de substituí-las, deixando o traçado do século XV intacto e habitado.
A altitude e como lidar com ela
- A 2.792 m Ollantaytambo é alta, mas está 600 m abaixo de Cusco — razão pela qual muitos guias e médicos sugerem passar as primeiras noites andinas no Vale Sagrado e subir para a cidade depois.
- Leve o primeiro dia com calma. Ande devagar, evite álcool, beba muito mais água do que parece necessário e coma leve.
- O chá de coca (mate de coca) é oferecido em todo lugar e realmente ajuda com sintomas leves. A acetazolamida é vendida em farmácias, mas é uma conversa para ter com seu médico antes de viajar.
- Dor de cabeça, falta de ar ao subir escadas e sono interrompido são normais por um ou dois dias. Confusão, vômitos ou falta de ar em repouso não são — desça e procure ajuda médica.
- Deixe o Pinkuylluna, Moray a 3.500 m e Chinchero a 3.762 m para o seu segundo ou terceiro dia.
Ingressos e o que eles cobrem
- Só se entra no sítio arqueológico com o Boleto Turístico de Cusco. Não há ingresso avulso e o pagamento com cartão não é confiável — leve dinheiro.
- O boleto completo de 10 dias (cerca de S/130 para adultos estrangeiros) cobre dezesseis sítios, incluindo Sacsayhuamán, Pisac, Chinchero e Moray.
- O boleto parcial do Circuito III (cerca de S/70, válido por 2 dias) cobre apenas os sítios do Vale Sagrado — Ollantaytambo, Pisac, Chinchero e Moray — e é a melhor compra para uma viagem curta.
- As salinas de Maras não estão no Boleto e cobram taxa própria no portão. O Pinkuylluna e o centro inca são gratuitos.
- Machu Picchu é totalmente à parte, vendido pelo Ministério da Cultura com limite diário e horário de entrada.
Dinheiro, preços e gorjetas
- A moeda é o sol peruano (PEN). Cartões são aceitos em hotéis e nos melhores restaurantes; em quase nenhum outro lugar.
- Há apenas alguns caixas eletrônicos na cidade, e eles ficam sem dinheiro. Saque em Cusco ou Urubamba antes de chegar.
- Um menú del día — sopa, prato principal e bebida — custa cerca de S/15–25. Um restaurante turístico na praça cobra o dobro.
- Gorjeta não é obrigatória, mas é comum: arredonde nos restaurantes, alguns sóis para o mototáxi e S/20–40 por pessoa por dia para um bom guia.
O que comer
- A truta de rio, geralmente frita ou na chapa, é o prato local e raramente decepciona.
- O cuy (porquinho-da-índia) e o chicharrón de porco são os pratos clássicos de festa e aparecem na maioria dos cardápios.
- As sopas fazem o trabalho pesado na altitude: sopa de quinoa, sopa criolla e chairo farão mais por você a 2.800 m do que um bife.
- A chicha de jora, cerveja de milho fermentado, é vendida em chicherías caseiras — procure uma sacola plástica vermelha içada num pau à porta.
- O choclo com queijo, milho gigante do Vale Sagrado com queijo fresco, é vendido em todo lugar e são os melhores dois sóis da viagem.
O que levar
- Camadas. A variação entre o sol do meio-dia e o frio depois do escurecer é maior aqui do que a variação entre estações.
- Proteção solar de verdade — chapéu, protetor de fator alto e óculos escuros. O UV a 2.800 m não perdoa nem com nuvens.
- Calçado com aderência. Os degraus incas, a trilha do Pinkuylluna e as pedras polidas escorregam cada um à sua maneira.
- Uma capa de chuva de novembro a março, e uma peça quente para a noite em qualquer mês.
- Dinheiro em notas pequenas, seu passaporte para as conferências no trem e em Machu Picchu, e uma garrafa reutilizável.
Quanto tempo ficar
Uma noite
Chegue de Cusco à tarde, visite o sítio arqueológico na última luz, jante na praça e pegue um trem cedo para Machu Picchu no dia seguinte. O mínimo que faz sentido.
Duas noites
Acrescente um dia inteiro: as ruínas na abertura, o Pinkuylluna antes do almoço e depois uma tarde pelas ruas incas e pelo mercado. Ou troque a tarde por um meio dia em Maras e Moray.
Três noites
A versão que escolheríamos. Dia um o sítio e a cidade, dia dois Maras e Moray, dia três o vale de Patacancha com uma comunidade tecelã, ou então Ñaupa Iglesia e a caminhada a Pumamarca.
Festas que vale considerar
- Bajada de Reyes (6 de janeiro) — a Epifania, marcada por procissões, danças e bastante chicha.
- Señor de Choquekillka (móvel, por volta de Pentecostes, em maio ou junho) — a festa padroeira de Ollantaytambo e de longe a maior: bandas de metais, dançarinos mascarados e touradas por vários dias.
- Inti Raymi (24 de junho) — a festa inca do sol, encenada em Cusco mas sentida em toda a região, e a semana mais cheia do ano.
- Fiestas Patrias (28–29 de julho) — a independência peruana, quando o turismo doméstico atinge o pico e os preços sobem.
Algumas palavras que ajudam
| Allillanchu | Olá / tudo bem? (quíchua) |
|---|---|
| Sulpayki | Obrigado (quíchua) |
| Apu | Espírito da montanha sagrada |
| Cancha | Recinto inca murado |
| Qollqa | Armazém inca |
| Andén | Terraço agrícola |
Combine sua viagem
Com o lugar no trem garantido, Machu Picchu é o próximo passo. Nosso guia para planejar Machu Picchu se aprofunda na cidadela: os circuitos de entrada, as trilhas às montanhas, Aguas Calientes e os trekkings que terminam lá.
Para um segundo sítio inca na região de Cusco, bem mais tranquilo, considere Choquequirao, no alto do cânion do Apurímac. Nenhuma estrada ou ferrovia chega até lá, então a visita exige um trekking de vários dias, geralmente a partir do vilarejo de Cachora; nosso guia do trekking a Choquequirao explica como planejar.
